O que dá vida à radionovela? (Narrativa)

Segundo o dicionário de teoria da narrativa, o verbete “narrativa” pode ser entendido como enunciado ou conjunto de conteúdos e se referir ainda ao ato de relatar ou ao gênero narrativo. A narrativa é a representação do homem, pode ser histórica ou ficcional, e é dinâmica graças aos seus mecanismos de articulação (personagens, ação, tempo e espaço) que obedecem a uma ordem dando ao acontecimento início, meio e fim. A diversidade da narrativa permite que diversas situações ficcionais, contextos comunicacionais e suportes expressivos sejam explorados. Toda narrativa é fechada, porém, em algumas existem brechas e incertezas que possibilitam outros sentidos e interpretações que podem construir uma nova história.

Discutir a narrativa nos faz refletir sobre a necessidade humana de se comunicar, já que própria trajetória coletiva e individual da humanidade é uma narrativa. Linguagem, razão e imaginário são indispensáveis ao homem para produção e recepção dos processos comunicativos, sejam reais ou fictícios. A narrativa está presente em todos os tempos, lugares, sociedades, e surge com a história da humanidade, logo, a narrativa tem lugar de destaque na vida de qualquer sujeito. Existem diferentes tipos e gêneros narrativos, mas todos compartilham de uma mesma estrutura e importante ferramenta de persuasão: a relação face a face entre quem narra (o narrador) e quem escuta (o narratário). A reflexão sobre a narrativa também é algo bastante antigo, tira-se como exemplo os pensamentos de Platão e Aristóteles, que iniciaram uma discussão sobre o ato de narrar, o modo como narra, a representação da realidade nas narrações e quais são os efeitos dessas histórias em quem as ouve.

Para Platão, em A República, deve-se narrar o mais demoradamente possível, alternar entre imitação (neste caso, a imitação refere-se a ao ato de se portar como se estivesse no lugar daquele que está ouvindo, ou seja, se quem faz o discurso ou reflete sobre ele se dirige a homens humildes, o discursante deverá se portar como tal). O mesmo não deve ser feito se a narração for feita para ouvintes de “má índole”. A idéia de imitação está ligada a representação da realidade, uma cópia fiel da verdade, relacionando-se diretamente com a filosofia platônica. Já para Aristóteles, as imitações nas narrações vão além das representações do mundo real, chegando até a essência da humanidade. Imitar na perspectiva aristotélica é algo capaz de diferenciar o próprio ser humano dos outros seres, de colocar elementos não constituintes da realidade e assim dar algum prazer.

Na próxima publicação, abordaremos o elemento “Narrador”. Aguarde e comente o que achou desse post!

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