O que dá vida à radionovela? (Narrador – parte 1)

As histórias são narradas desde a aparição dos primeiros hominídeos capazes de desenhar nas pedras das cavernas. Essas histórias ficavam sempre a cargo de quem tinha certa autoridade para narrar, comunicando suas experiências, dando conselhos, dando juízos aos seus ouvintes. Assim, desde o começo das civilizações, entre o que era contado e o público que ouvia, ficava a figura do narrador que foi progressivamente sendo esquecido ou mesmo escondendo-se por trás de outros que estavam muito mais ligados a estrutura do romance do que propriamente da narrativa.

No romance narra-se a si próprio e até misturam-se com os personagens se ligando diretamente ao leitor, numa fusão que acaba por distanciar o leitor do personagem por conta da existência de uma diluição das identidades apresentadas nas histórias. O narrador narra o que viveu, o que viu durante sua vida e não esquecendo que ele também narra o que sonhou, tornando a ficção uma irmã gêmea da narrativa.

Walter Benjamim afirmava que eram cada vez mais raras as pessoas que sabiam narrar devidamente e ressaltava que é a experiência oral que passa de pessoa a pessoa a fonte de todos os narradores. Tanto quem viveu outra cultura quanto aquele que nunca saiu de sua terra de origem pode ter o mesmo dom de narrar e algo vivido pelo contador de histórias pode influenciar seu estilo narrativo refletindo na preferência por uma determinada temática ou tipo de personagem.

O contador de histórias tem sempre suas raízes no povo e figura-se entre os mestres e sábios que – para narrar algo – se vale da própria experiência ou do que ouviu dizer. A verdadeira narrativa é o relato da experiência vivida, a transmissão de informações significativas que, somadas às experiências dos ouvintes, produz uma nova experiência e transmite um ensinamento moral. A forma de narrar se altera através dos tempos, de acordo com a civilização e seus modos de produção, porém, mesmo depois de muito tempo uma mesma narrativa ainda é capaz de se desenvolver e exercer ação sobre o receptor.

Numa síntese das diversas teorias feitas sobre as narrativas, foi possível através de Friedman associar quatro perguntas que ao serem respondidas formarão a tipologia do narrador:

1- Quem conta a história: a pessoa do narrador (primeira, terceira, onisciente, personagem…);

2- A posição ou o ângulo dele (dentro da história, no centro, na periferia, de frente, movendo-se…);

3- Quais os canais de informação que o narrador se vale para comunicar a história para seus ouvintes (palavras, sentimentos, preocupações, memórias, lembrando que tais canais podem ser do próprio narrador ou da história do personagem que narra) e;

4- A que distância o narrador coloca o leitor da história (próximo, distante, ora perto ora distante).

Respondidas as perguntas, foi possível montar a tipologia do narrador. De acordo com essa tipologia, podemos dividir o narrador em oito tipos: narrador onisciente intruso, narrador onisciente neutro, narrador testemunha, narrador protagonista, narrador onisciente múltiplo, narrador seletivo, narrador em modo dramático e em modo câmera.

Na próxima publicação, vamos pontuar cada tipo de narrador estudado pela equipe do Universitária em Cena. Você pode aguardar lendo nossos posts antigos!

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Um comentário em “O que dá vida à radionovela? (Narrador – parte 1)

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